Não vou mentir. Claro que temos medo

Na RoomRaccoon não temos apenas uma enorme paixão para a Indústria Hoteleira, alguns dos nossos Raccoons têm alojamentos próprios. Tal como a nossa country manager portuguesa, a Maria. Leia mais sobre a sua experiência como proprietária de um Hostel durante estes tempos loucos.

"Tal como a generalidade dos alojamentos turísticos um pouco por todo o mundo, o Blue Coast Hostel foi confrontado com as consequências desta pandemia. 

Têm sido momentos de medo e incertezas para com o futuro, mas também de reflexão sobre como poderemos passar por uma situação destas, e conseguirmos recuperar assim que possível da mesma.  

Não vou mentir. Claro que temos medo, claro que estamos assustados com tudo isto. Afinal de contas, fomos afetados com cancelamentos, ausências de reservas e as despesas continuam a existir para serem pagas. 

Mas também temos a certeza de que se nos rendermos a pensamentos negativos, as consequências serão piores e provavelmente letais para o nosso negócio. 

Face a atual situação, devemos manter um espirito de Resiliência, Criatividade e também de solidariedade com os outros. Afinal se nos ajudarmos uns aos outros será mais fácil a recuperação geral de toda a comunidade. 

 

Por esta razão, a primeira medida por nós tomada (e acreditem difícil) foi fechar portas e bloquear disponibilidades até ao final do mês de abril. Travar a propagação do vírus e acima de tudo proteger a saúde de toda a equipa esteve no centro desta tomada de decisão. Mas não nos ficámos por aqui. Fazendo parte de uma comunidade sentimos que deveríamos fazer alguma coisa que de alguma forma contribuísse para combater esta batalha com que nos defrontamos. E por isso, olhando para o panorama atual, decidimos colocar o nosso Hostel à disposição daqueles que combatem na linha da frente. O Blue Coast Hostel está desde o inicio de Março disponível para situações forçadas de quarentena a todas as autoridades de saúde e segurança, em parceria com a entidades que gerem este tipo de situações. Afinal de contas, se cada um de nós fizer uma parte, o percurso será mais fácil de percorrer. 

 

Em segundo lugar, tentámos pôr em perspetiva o presente e analisármos a ausência de receita, face às despesas que se mantém por pagar. Desta forma podermos tomar decisões sobre o que devemos ou podemos cortar nesta fase para que nos mantenhamos ativos e prontos para a recuperação. Também olharmos para os apoios que o governo por a disposição das empresas como um alavanque para a economia de cada um, e consequentemente do país. Uma coisa temos a certeza: iriamos manter o nosso STAFF e trabalhar em todas as iniciativas que promovessem a nossa recuperação com a maior rapidez possível. Chegou a altura de pensarmos ‘fora da caixa’. Acima de tudo responder à questão: o que podemos fazer de diferente? 

 

Estas foram algumas das decisões: 

  1. Pedirmos acesso a todos os apoios que fossem de acordo com as nossas necessidades e planearmos o investimento dos mesmos. Consultamos o nosso contabilista, bancos e algumas associações das quais fazemos parte para delinear o melhor plano possível. 
  2. Lidar com os cancelamentos que foram surgindo em catapulta, de forma estratégica e que nos fizesse manter o máximo de receita possível. Contactamos cada um deles questionando se pretendiam a devolução do dinheiro ou a emissão de um voucher que os permitisse gozar da experiencia em datas futuras. Alguns resultados positivos surgiram desta iniciativa. 
  3. Adicionámos Códigos de Desconto, em todas as mensagens de confirmação de cancelamento, para que as pessoas pudessem no futuro reservas connosco e de forma direta (evitando as comissões pagas às OTAs)
  4. Planeamento de campanhas estratégicas de divulgação de comunicação em diferentes plataformas, como especial enfoque nas redes sociais. Afinal de contas, as pessoas estão em casa, fartas desta situação e sonham com tempos melhores. Vamos-nos manter na cabeça das pessoas para reservas futuras. E neste seguimento, forcar-nos no turismo nacional, sendo este aquele que provavelmente teremos recuperado num mais curto espaço de tempo. 
  5. Criação de Politicas de Cancelamento mais suaves, que deem segurança às pessoas para efetuar reservas futuras. 

 

E isto tudo apenas nesta primeira fase. Estamos em casa, temos tempo, porquê não investir em trabalho que fomente a nossa mais rápida recuperação? É tempo de lutar e não de aguardar o pior dos cenários. 

 

E verdade seja dita: a taxa de reservas está bastante mais baixa do que o normal, mas também não está a 0. As pessoas têm respondido positivamente a estas iniciativas, e estamos a receber reservas, provando que se trabalhamos é possível, se trabalharmos vamos recuperar."